A BORRACHA
     
BORRACHA SINTÉTICA

A história de uma indústria

Publicado Por
INTERNATIONAL INSTITUTE OF SYNTHETIC
RUBBER PRODUCERS, INC.
 

A história da borracha

Os índios americanos foram os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades singulares da borracha. Os aventureiros espanhóis que sucederam Colombo no princípio do século dezesseis os encontraram praticando um jogo organizado com uma bola que saltava melhor do que qualquer coisa conhecida na Europa, até então. De fato os espanhóis ficaram impressionados com o comportamento ‘vivo’ da bola que seus primeiros relatos a descreviam, como efetivamente, pulando acima da altura da qual era jogada.

A bola era feita da seiva branco-leitosa que fluía de algumas árvores do local quando lhes cortava a casca. Quando seca, esta seiva se coagulava numa forte goma elástica.

Durante os cem anos que se seguiram, os europeus descobriram, gradativamente, uma série de outras utilizações que os índios davam a este extraordinário material. Eles o espalhavam em roupas para torná-las impermeáveis. Eles o moldavam em formas de argila para produzir uma espécie de primitiva de botina. Eles o moldavam em vasilhames flexíveis e seringas e, também o ofereciam a seus deuses, como incenso.

Para qualquer pessoa que haja sentido o cheiro de borracha queimando, esta aplicação pode parecer surpreendente, mas não era tanto o mau cheiro que se supunha os deuses gostassem, mas as vastas nuvens de fumaça negra as quais nos conhecidos primórdios da magia eram utilizadas para induzi-los a enviar verdadeiras nuvens de chuva.

As outras aplicações da ‘resina elástica’ eram de maior interesse prático para os europeus. Até a descoberta da borracha, o Velho Mundo, notavelmente se ressentia de um material de flexibilidade contínua que fosse genuinamente impermeável à água e ao ar. Nos tempos de Swift, tanto os folgazões como os jogadores de futebol tinham de usar bexigas de porco infladas.  Os químicos e bombeiros dependiam, igualmente, de couro para a confecção de tubos e mangueiras, os quais, em conseqüência, vazavam em todas as costuras. As capas de couro nunca eram completamente à prova d’água.

O interesse no que se poderia fazer com a ‘goma elástica’ foi estimulado em meados do século dezoito por dois franceses: C. M. de La Condamine e C. F. Fresneau. La Condamine enviou uma amostra de Quito para a Academia de Ciências em Paris explicando que os Maina Indiana a chamavam caoutchouc, isto é, caa – de madeira e o-chu de escorrer ou gotejar. Fresneau, após longa pesquisa, descobriu seringueiras na Guiana Francesa, sangrou-as, fez um par de sapatos da seiva e impermeabilizou um velho sobretudo.

O relatório de Fresneau lido por La Condamine para a Academia de Paris, em 1751, sugeria com extraordinária previsão, que o material poderia ser usado para a confecção de encerados, luvas para bombas, roupas de mergulhadores, garrafas e outros artigos úteis.

Apontou também a principal dificuldade no caminho da exploração européia: a seiva não se conservava, ela coagulava logo após a sangria, e consequentemente não poderia ser enviada e era muito dura para ser processada por qualquer dos métodos indígenas.

Seguiram-se esforços esporádicos para suplantar esta dificuldade. O rei de Portugal enviou todas as suas botas para o Brasil para serem impermeabilizadas. Um servidor civil espanhol que desejava vasilhames inquebráveis para carregar mercúrio, para as minas de ouro mexicanas, teve-os feitos de camurça e revestidos de borracha, no México. Joseph Priestley contentou-se em recomendar a goma aos engenheiros ingleses como um material muito superior ao miolo de pão para apagar as marcas de lápis.

Nesse ínterim, dois químicos franceses, Macquer e Herissant, começaram a pesquisar solventes que tornassem a goma coagulada em líquida novamente, após sua chegada na Europa. Eles descobriram que terebentina e éter eram eficazes para este fim, e então prosseguiram uma série de experiências na impermeabilização de tecidos impregnando-os com uma solução de borracha. Antes do final do século XVIII os professores franceses Charles e Robert haviam se beneficiado da nova técnica a fim de conseguir seda impermeável para seus primeiros balões de hidrogênio.

Também, por esta época, Macquer estava ocupado em produzir tubos de borracha, espalhando solução em formas de cera, e outro francês C. Grossart, enrolava tiras amolecidas com terebentina em formas de vidro. Finalmente em 1803, a primeira fábrica de borracha foi erigida em Paris. Produzia ligaduras elásticas para uso em ligas e suspensórios.

Todos esses produtos, entretanto, sofriam duas grandes desvantagens as quais já haviam sido apontadas por Fresneau. Em primeiro lugar a goma era pegajosa à temperatura ambiente, não importando o que se fizesse. Em tempo quente ela se tornava mais mole e ainda mais pegajosa. Em tempo frio, por outro lado, ela se tornava progressivamente dura e rígida, até que eventualmente, no rigor do frio, se tornava quase completamente inflexível.

Uma solução parcial para a primeira destas dificuldades foi encontrada por um escocês, Charles Macintosh, em 1823, quando produziu um material aceitável para vestimentas, aplicando a goma pegajosa entre duas camadas de tecido fechado de algodão. Mas uma resposta satisfatória para o problema, só veio em 1839, quando um inventor americano, Charles Goodyear, descobriu acidentalmente, em 1840, o processo ora conhecido como Vulcanização.

Goodyear empregou todos os seus recursos na pesquisa e várias vezes atingiu o ápice da pobreza. Seu sucesso final, abriu os caminhos para o desenvolvimento da indústria de processamento da borracha, como a conhecemos hoje em dia.

Na Inglaterra, Thomas Hancock inventou o processo de mastigação para triturar a borracha bruta e reduzi-la a uma condição mais maleável. Finalmente em 1842 foram-lhe oferecidos uns pequenos pedaços de borracha vulcanizada por Goodyear e em maio de 1844, Hancock descobriu o segredo da vulcanização, fazendo enorme fortuna.

A introdução da vulcanização em ambos os lados do Atlântico foi seguida, de uma rápida e bem sucedida aplicação da borracha a, virtualmente, todos os seus usos modernos – mangueiras, correias, pisos, calçados, artigos esportivos e vestimentas impermeáveis, equipamentos para anestesia, cateteres, colchões de ar e sacos de água quente, parachoques ferroviários e anéis de pistão, isolamento elétrico, arruelas, gaxetas, juntas, selos e, a lista poderia continuar quase que indefinidamente. O clímax veio com a patente de pneumáticos em 1888 pelo cirurgião veterinário de Belfast, John Boyd Dunlop.

Entre 1879 e 1882, Bouchardt realizou a polimerização do isopreno, obtendo produtos de propriedades semelhantes à borracha. O primeiro pneumático para bicicleta data de 1830. Em 1895 Michelin teve a idéia audaciosa de adaptar o pneu ao automóvel. Desde então a borracha passou a ocupar um lugar preponderante no mercado mundial.

Sendo a borracha importante matéria-prima e dado o papel que vem desempenhando na civilização moderna, cedo foi despertada a curiosidade dos químicos para conhecer sua composição e, posteriormente, sua síntese. Desde o século XIX vêm sendo feitos trabalhos com esse objetivo, logo se esclarecendo que a borracha é um polímero do isopreno.

Os russos e os alemães foram os pioneiros nos trabalhos de síntese da borracha. Mas os produtos obtidos não suportaram a concorrência da borracha natural. Somente com a Primeira Guerra Mundial a Alemanha, premida pelas circunstâncias, teve de desenvolver a industrialização de seu produto sintético. Foi o marco inicial do grande desenvolvimento da indústria de borrachas sintéticas, ou elastômeros, no mundo.

Principal rota de produção de borrachas (fonte: Petroflex)

 
 
 
   

© 2018 - ESPÍRITO SANTO BORRACHAS - Todos os direitos reservados

Rua Pedro Zangrande - nº 595 - Jardim Limoeiro - Serra - ES
Telefones: (27) 3328-3922   |   (27) 3328-1904